Onde os sonhos são imperfeitos e sonhamos com a imperfeição...

28 de outubro de 2013

Eu sei que (quase)tudo muda

     Engraçado como as coisas são. De madrugada minha cabeça encosta no travesseiro, e eu sempre me pergunto: "será que estou no caminho certo?". Eu jamais tive uma resposta sincera. Mas comecei a analisar minha vida, tudo que pode acontecer em um intervalo pequeno. Um intervalo de, digamos, cinco anos.

10 de setembro de 2013

A imperfeita poesia da vida

E o livro abriu
As páginas correram
Palavras surgiram
Lições foram aprendidas
E o leitor ouviu
O silêncio da escrita
Mais eloquente que o som
Das palavras perdidas
E a leitura ensinou
Que a verdade não existe
Que o real é imperfeito
E que o mundo é um sonho
E sonhos podem ser pesadelos
De crueldade e dor
Mas também pode ser doces
E trazerem felicidade
Mas o que o livro mostrou
Em versos não rimados
Na imperfeita poesia da vida
É que não importa o que aconteça
Se você acreditar em você
Sempre poderá vencer

Lorhien Wolpart

23 de agosto de 2013

Cânticos do Bardo

Será que foi ilusão?
Será que foi real?
Ou foi meu desejo são
De que nada fosse igual?

Não entendo o meu ser
E me perco em pensamentos
Tentando nos entender
Descifrando nossos sentimentos

Mas não há resposta
Não há caminho fácil
Não há solução proposta
Para uma felicidade ágil

Mas o meu ser se perde
Em pensamentos sobre você
Que não me permitem ser inerte
E que não me deixam entender

Meu dia é pensando em ti
Minhas horas pensando em nós
Pensando em me diverti
Em nossos momentos a sós

Não entendo o que penso
Não entendo o que acontece
Não consigo ter o bom senso
De não fazer o que me apetece

E estou agora em abstinência
Do calor e cheiro de sua pele
De provar nossa existência
Como a paixão nos compele

Hoje me compreendo menos
Hoje também não lhe entendo
Nossos momentos não somenos
Que me fizeram ficar estupendo

Acordo pensando em ti
Com a luz do Sol alta
E de tudo que eu senti
Sobressai a sua falta

Não sei mais se quer entender
E não consigo parar de pensar
Eu quero tanto lhe acolher
Em meus braços e lhe afagar

E sei que não foi ilusão
Aquilo tudo foi tão real
E do fundo de meu coração
Cresceu um sentimento surreal


Lorhien Wolpart

16 de agosto de 2013

Quanto tempo dura o "Eterno"?

A eternidade pode durar alguns segundos, mas, se for verdadeira, será lembrada para sempre.

Lorhien Wolpart

Cânticos do Bardo

Quando meus pelos eriçarem
Quando o movimento parar
Quando as músicas calarem
Contigo ainda irei sonhar

Quando as mentiras forem ditas
E as verdades ignoradas
Por sensações perdidas
E pelas dores armadas

Quando o Sol não mais brilhar
Quando a escuridão viver
Quando não houver mais luar
Ainda pensarei em você

Quando o medo se instaurar
E a coragem desistir
E não houver motivo para lutar
E nem refúgio para ir

Quando o mar se calar
Quando a flor murchar
Quando a areia não mais voar
Ainda estarei a sonhar

Quando nada mais mudar
E as horas não mais passarem
E a rotina se estagnar
E os desejos simples pararem

Quando o som não existir
Quando a vista falhar
Quando a música não mais ouvir
Em mim poderá confiar

Quando o eterno acabar
E a certeza se corroer
Nada mais igual será
Nem a vontade de correr

Quando o vento em ti tocar
Quando a luz te abraçar
Quando a meu coração lhe falar
Que lá ainda irei te amar


Lorhien Wolpart

13 de agosto de 2013

Deixe-se ser feliz

   Se a vida não te magoar, te ferir ou te desanimar, significa que você está vivendo errado. Os erros e as dores são partes da vida, e são os momentos difíceis que levam de uma foto sorridente à próxima, com ainda mais sentimento de felicidade.
   O ser humano é incapaz de viver sozinho, e, ao mesmo tempo, é despreparado para viver em conjunto, e a vida é a jornada mais árdua que você terá. Basta saber se, em sua jornada, você se permitiu receber as recompensas pelos sofrimentos passados.

Lorhien Wolpart

3 de agosto de 2013

Pequenos versos para grandes sentimentos

O encanto dos céu noturno
Que inspirou tantos sábios
Com um mistério tão soturno
Incita em meus lábios

Palavras mais sinceras
Verdades não ditas
Emoções que a tu veneras
Que não cabem aqui descritas

O encanto do céu noturno
E da Lua o brilho escuro
Inspira mais esse taciturno
E a ti tanto procuro

Lorhien Wolpart

1 de agosto de 2013

O Coração Aliviado


Um coração aliviado aceita as mudanças, sejam para o bem, sejam para o mal.
Um coração aliviado compreende a inconsistência e descontinuidade da vida.
Um coração aliviado se perdoa pelos seus erros, assim como perdoa os erros de quem ama.
Um coração aliviado permite ferir-se quantas vezes forem necessárias para continuar vivo.
Um coração aliviado se permite seguir em frente após as desilusões da vida.



Um coração aliviado é um coração verdadeiramente Feliz...

Lorhien Wolpart

21 de julho de 2013

Quando Amamos

Quando amamos tudo é perfeito
Cada segundo é hora
Cada respiração nos deixa sem ar
Cada momento é uma vida!

Quando amamos, somos verdadeiramente nós mesmos

Lorhien Wolpart

20 de julho de 2013

A brisa fria da noite quente entra pela porta e empurra a cortina que a cobre, esfriando junto o café que repousa ao lado da poltrona.

- Dessa vez você parece diferente.
- É... você apareceu novamente em um momento de confusão. Mas hoje, não estou triste, embora eu não saiba exatamente como estou.
- Engraçado como as coisas são, não é mesmo?
- Nem me diga. Dessa vez eu achei que tudo ia se acertar rápido.
- E fácil, você também que dizer, não é?
- Sim. Estava tudo tão bem...
- Amigo, nada nessa vida é fácil. Ainda mais com você.
- É, mas pelo menos uma vez eu queria respirar aliviado.
- Mas você acabou de dizer que não está triste.
- Não estou mesmo. A própria confusão é confusa.
- Entendo.
- Queria que você realmente pudesse entender o que falo. Como das outras vezes que conversamos, você vai tentar me convencer de que estou errado.
- Curioso, dessa vez eu acho que você fez certo.
- Como assim? Faz anos que não sinto uma confusão dessa, e você me diz que estou certo?
- Sim. Justamente porque faz anos que você não sente isso. Você se lembra porque faz anos?
- Por causa do limite que havia imposto.
- Exatamente. E o que aconteceu enquanto você tinha esse limite?
- Eu me dei bem na vida. Estava bem, feliz, aliviado... Havia conseguido um bom emprego e reconhecimento. Havia conseguido coisas que muita gente quer...
- Mas lhe faltava algo, não é mesmo?
- Na verdade, nunca tinha percebido que faltava algo até então...
- Então falta algo, certo?
- Na verdade, no momento não acredito que falte. Mas eu descobri que dá para viver ainda melhor do que "bem".
- E o limite imposto?
- Dessa vez eu sequer pude notar a aproximação ao limite... Quando me dei conta, já havia atravessado.
- E você lamenta por isso?
- Sinceramente? Não. Pela primeira vez eu não lamento por isso. Pela primeira vez, eu não entendi nada do que aconteceu, mas estou feliz!
- Sabe por quê?
- Por que?
- Você finalmente sabe o que quer.
- Como assim?
- Você entendeu. Até então você seguia uma espécia de roteiro para sua vida. Perfeitinho, sem resuras ou desvios. Até então, mesmo com os dramas que aconteceram, você não teve nada fora do esperado pelo que você quisesse lutar. Você estava seguindo uma filosofia de "Eu não sei o que quero, mas eu sei que vou conseguir". E conseguiu. O bom emprego, a boa escolaridade, o reconhecimento e tudo mais. Você conquistou coisas que, na verdade, não eram exatamente o que você queria. Mas era o roteiro que sua vida estava seguindo. Lembra quando escreveu sobre a rotina?
- Lembro. E agora entendo o seu ponto de vista. Eu não sabia o que queria, mas sabia o que fazer para conseguir tudo o que eu "devia" ter.
- E agora? Como é a situação?
- Quase oposta. Eu sei exatamente o que quero, só não tenho certeza do que tenho que fazer para conseguir.
- Não tem mesmo?
- Certeza não, mas sei que farei o necessário. Já não tenho mais como voltar atrás, a linha já foi cruzada, e eu só a consigo ver desaparecer.
- Acho que a primeira vez que te vejo tão empolgado em tantos anos!
- E não é para estar?
- Mas e a notícia que você recebeu? As palavras que lhe foram ditas?
- Não importam. E sabe porque? Porque eu vou mostrar como elas, nesse caso, estão infundadas. Eu vou mostrar que, comigo, ela pode ser feliz, sem o medo de acreditar que será assim por muito tempo.
- Curioso sua mudança de humor enquanto fala.
- Curioso é que eu poderia estar totalmente desanimado, mas agora, pensando bem, não estou.
- Mas espera, sejamos racionais, embora geralmente só eu faça esse papel por aqui. Você acha mesmo que vai durar para sempre?
- Eu tenho que acreditar nisso. Não posso entrar nessa sem acreditar. E mesmo que, por alguma razão que eu sequer quero imaginar, der errado? Eu vou lamentar por algo que ainda não aconteceu? Pode dar certo, ou pode dar errado. Mas tudo é questão de se arriscar. Não quero mais viver com a sensação de "bem", e para ter o "extraordinário" é necessário arriscar!
- Exactament, mon ami.
- Não sabia que falava francês.
- Existem muitas coisas sobre mim, ou melhor, sobre você mesmo, que você não sabe e ainda precisa aprender. E você só irá aprender enquanto viver. Esqueça essa de impor limites. Viva intensamente, e conheça você como deve.
- Estranho. O que você falou soa como um adeus.
- Talvez um adeus, talvez um até mais. O importante é que agora eu posso voltar a ficar tranquilo em relação à você, então talvez não voltemos a conversar tão cedo.
- Entendo.
- Parece triste.
- Você sabe. Por mais chato que fosse, era um ótimo conselheiro. O melhor de todos.
- Isso apenas porque eu entendo você melhor que ninguém. Mas você não pode depender de mim eternamente, embora eu sempre estarei com você.
- Isso eu sei. Então essa é nossa despedida.
- Por enquanto, sim.
- Então é bom nos despedirmos como sempre, não é mesmo?
- Hahahahahahahaha. Sério, eu adoro você, abre o peito para dizer que quer arriscar, mas chega uma hora em que desiste disso. Mas enfim, faremos como queira. Boa Noite.
- Boa Noite, Eu.


Lorhien Wolpart

1 de maio de 2013

Cânticos do Bardo

Seja dia, seja noite
Seja brisa que acaricia
Seja vento que açoite
Seja luz que vicia

Seja sempre minha
Pois não deixo de pensar
Seu corpo como vinha
Ao meu corpo entrelaçar

Seja minha saudade
Pois estou sempre a pensar
Na terrível maldade
Que é não te beijar

Seja minha verdade
Dos sonhos sem razão
Que lembram a liberdade
Junto de seu coração

Seja sempre a esperança
Do dia que não veio
Mas que temos lembrança
Em nosso belo devaneio

Seja minha estrutura
Para suportar o mundo
Com toda a desenvoltura
Até o último segundo

Seja a minha malícia
Em seu lábio carnudo
De minhas carícias
Em seu corpo desnudo

Seja meu desejo
Minha maior vontade
Com música do realejo
A dança de nossa verdade

Seja como a luz do luar
Passeando com encanto
Suave em seu caminhar
E a beleza como manto

Seja o começo e o fim
Seja a escuridão da dor
Seja a luz da esperança
Seja meu mais puro Amor


Lorhien Wolpart

21 de dezembro de 2012

Minhas convicções

"Sou mestre e refém de minhas convicções. A elas eu obedeço e a elas eu modifico."

Lorhien Wolpart

Cânticos do Bardo

E é na chuva na janela
E é no sol no gramado
É a vida de sentinela
É a morte o chamado

É a paixão inerente
Do corpo completo
Da alma dormente
Do coração desperto

Perdido no próprio olhar
Tento encontrar a resposta
Que pode enfim decifrar
As inverdades impostas

É a paixão completa
Do corpo dormente
Da alma desperta
Ao coração inerente

Não acredito em minha verdade
Não entendo minha explicação
Sou mais imaturo na maturidade
Quando não ouço mais meu coração

É a paixão indiferente
Ao corpo desperto
À alma dormente
Ao coração incompleto

Quando não mais acreditei
Quando não quis aceitar
Talvez agora presenciei
Um certo despertar

Agora sou desentendido do entendimento
Agora sou completamente incompleto
Agora tenho remorso do arrependimento
Pois não tenho certeza daquilo que sou certo

Quando não mais te quis
Quando desistir de supor
A verdade que não se diz
Acho que então senti o amor


Lorhien Wolpart

20 de outubro de 2012

Cânticos do Bardo

Eu gosto do mutável
Eu gosto do inacabado
Eu gosto do interminável
Eu gosto do ilimitado

Nada é ou está perfeito
Tudo sempre constrói
E sempre será imperfeito
E essa busca nos corrói

Não me preocupar com finais
Não me preocupar com inícios
Ou busca por respostas banais
Ou da razão da vida indícios

Sou incompleto por ser humano
Sou incompleto em meu amplexo
Sou incompleto por ser mundano
Sou incompleto por ser complexo

Por que buscar a perfeição?
Seria uma busca infundada
Mesmo quando se há afeição
Mesmo quando não há nada

Eu gosto da existência
Eu gosto da limitação
Eu gosto da essência
Eu gosto da superação

E assim segue-se o rumo
Em passos não definidos
Em destinos que arrumo
Nos acasos admitidos

Somos incompletos pelo desejo da perfeição
Somos completos pela nossa imperfeição
Somos incompletos em nossa solidão
Somos completos quando unimos nosso coração


Lorhien Wolpart

15 de julho de 2012

De mim para mim

Eu estava simplesmente sentado esperando o ônibus naquela madrugada escura e fria que marcava o início de um novo dia. Sentia o sereno gelado no rosto rachando os lábios pelo frio. Estou perdido em um sonho acordado sem pensamentos, quando um Santana branco atravessa meu campo de visão. Ele estaciona em frente ao prédio do outro lado da avenida e liga o "pisca-alerta". Seu condutor, um senhor de cabelos brancos, sai do carro. Ele aperta uma das campainhas do painel do prédio e logo em seguida vai em direção ao capô o do veículo e mexe em alguma coisa no motor. Deixa o capô aberto e dessa vez entra no prédio. Cinco minutos depois ele sai do prédio, fecha o capô e saí com o veículo, seguindo o fluxo da avenida.

Essa exata cena se repetiu por mais três dias.

Era um rotina. Uma rotina estranha e confusa. Ele estava preso nela e não podia escapar. Cada mísero detalhe fazia parte daquela cena. Foi o que pensei no quarto dia. Como pode alguém ficar preso de forma tão forte em uma rotina e não perceber?

Mas espere, o que estive fazendo nesses quatro dias?

Estive sempre sentado, com frio, olhando para o nada, perdido em pensamentos inexistentes. Todos os detalhes eram os mesmo. Eu estava preso em uma rotina e não percebia. Eu estava como aquele senhor. Todo dia levantando cedo, no mesmo horário, fazendo as mesmas coisas na mesma ordem. Aquele pensamento me fez perceber que até a vontade de quebrar a rotina já se tornou rotineiro. Eu vou aos mesmos lugares, sempre vejo os mesmos rostos, sempre tenho as mesmas sensações, sempre falo as mesmas coisas e sempre penso que tenho que mudar tudo isso. O que de fato faço para mudar minha rotina? Eu quero realmente sair da rotina? A vida é tão organizada e tão bem feita quando é rotineira que tenho medo de sair da rotina e as coisas se complicarem. Mas o que é a vida sem complicação? O que é a vida quando não temos aquela sensação que nos faz perder o rumo?

Há tempos não sinto essa sensação. Sinto falta dela. Há tempos meu coração se tornou rotineiro e sem graça, que não faz mais nem cócegas no meu estômago. Há tempos eu me perco em sonhos acordados sem pensamentos. Há tempos desejo voltar no tempo.


Há tempos anseio a liberdade.


Lorhien Wolpart