Onde os sonhos são imperfeitos e sonhamos com a imperfeição...

13 de fevereiro de 2015

Da meia-noite em diante

"Vou admitir uma coisa que todo mundo já percebeu mas eu nunca falei diretamente: Eu sou completamente louco por ela.".

Com essa frase eu fui o mais sincero que fui comigo há um bom tempo.


Havia criado uma carapaça, uma barreira que impedisse as coisas erradas de me atingirem. Também pudera, havia tempos que eu aguentava muita sem ter aquilo que todos dizem ser tão bom. Mas ser sincero comigo, assim como me desfazer de páginas passadas, me fizeram perceber um pouco melhor quem sou eu. E quando eu digo isso, eu acrescento que estou me admirando ainda mais. Eu gosto de quem eu sou e muito do que me tornei, até porque eu mantive muitas convicções, emboras tenham se tornado menos radicais que antes. Eu digo que deixei de acreditar no amor, mas como posso dizer isso se eu o vejo em várias pessoas, juntando casais perfeitos, mas reais, e não daquela perfeição fingida que é bastante visto.

Mas sabe o que mais me intriga? Eu sinto que ela também gosta de mim. Algo em meu interior diz isso. E eu não digo por causa de uma esperança cega ou interpretação errada, eu realmente acredito nisso. Então por quê raios não estamos juntos? Pode ser que não sejamos um casal perfeito, e, sinceramente, nem quero, mas seremos um casal que encaixa, que funciona. Sim, eu sei que estamos em momento diferentes da vida, cada um enfrentando uma etapa muito diferente da crise dos vinte e tantos anos, e talvez ela tenha cautela de que não seja esse o momento. Ou mesmo ela não queira que isso se torne real e que algum encanto que ela possui vá por água abaixo. Vai Saber.

A verdade é que eu não tenho me apegado as pessoas tão facilmente de uns tempos para cá. Tenho me tornado também mais frio. Sofri algumas perdas que marcaram demais, mas não creio que seja isso. Mas ainda é como se eu tivesse perdido parte da minha capacidade de sentir as coisas intensamente. Talvez seja como um bom e velho amigo uma vez disse "Estamos ficando velhos antes do tempo". Se for mesmo isso, é meio triste. Embora eu ainda me veja como uma criança em boa parte dos momentos. Eu não sei. Pelo menos agora eu me olho no espelho e tenho orgulho da pessoa que vejo. Eu admiro a mim mesmo, então talvez seja a hora de baixar os escudos.



Afinal, estar perdido é apenas uma via da vida


Evandro Silveira de Pontes